25/11/2013

Les Misérables


DEIXARAM-SE ali…
perdidos no horizonte

foram-se uma, duas,
três… luas

ela não foi
ele não veio

à noite,
cães ladravam
degenerados gorjeios

mas as ruas eram gaiolas
em que o amor mal nasce

morre
feio



h.f.
25 nov. 2013


18/11/2013

sinal de presença


HOJE sou eu a enlouquecida ((( desejando um sinal de presença que me revele palavras ardidas ))) fundidas na pele ((( no sentir ))) você pode medir? ((( como desejo a sua língua-tato tateando em mim ))) falo que abre ((( ocupa frestas sem desanimar ou partir ))) ((( ao menos, não antes de mim…

h.f.
17 nov. 2013


17/11/2013

?


O QUE importa
se ela vela
espera
do que foi
ou virá?


simplesmente amo…
− precisa justificar?


h.f.
17 nov./2013


16/11/2013

sugestão não basta


TALVEZ existisse alguma forma
de não dizer

que dissesse tudo

e um pouco muito mais

no entanto, a sugestão

sempre tão vaga, etérea, vasta

) posto poética (


não basta


necessita-se das três palavras mágicas

aquelas que não ousas pronunciar


h.f.

16 nov./2013


07/11/2013

trêsóis

ENQUANTO bebo cerveja
olho as imagens postas sobre a mesa
penso no que poderia ter sido ou no que poder-se-ia ser
se ainda há eu e você, se há uno em nós ou se fomos tão sós
que precisávamos de trêsóis para aquecer
nossas noites de inverno

enquanto bebo cerveja

esqueço que há outros entre lençóis


h.f.

14 jun. 2009
  

06/11/2013

expansão




SORVO medito
me desfaço em dígitos
como meia dúzia de livros,
noite alarga


h.f.

23 set. 2009


Para descontrair:


Ser ou não ser?
És a questão!






Eu = nuvem
Você = sabão

(to be or not to be...)


h.f.

24 fev. 2008



03/11/2013

me sendo

à talita prates






quando a teoria não dá jeito
se peito é fogo paiol d’esejo

seu corpo me sendo poesia



h.f.
26 jan. 2013





12/10/2013

fogo que intimida


não houve jogo
sequer tentou a sê-lo

foi paixão

foi destempero

fogo

quando centelho


h.f.

11 out. 2013


o que intimida
são as argúcias
nesse olhar

arteiro

faúlhas de vinho
inebriado desejo


h.f.
14 nov. 2011




07/10/2013

mesmo assim


ERA um poema
sem nexo

sem início, meio
ou fim

havia,
mesmo assim,

eco
reflexo

espelho aumento de


h.f.
8 out. 2013


02/10/2013

O QUE DOEU

não foram as palavras
ditas
escolhidas uma a uma
para ferir

doeu o falseamento...


sentimento que é tanto

não convém desmentir


h.f.

02 out. 2013

29/09/2013

aceitAção



O PIOR é que concordou. Aceitou todos aqueles disparates como se incontestáveis fossem as verdades. Fê-lo bem. Já não detinha qualquer força para permanecer remando - quase sempre contra a maré.

h.f.
29 set. 2013


17/09/2013

Poema dedicado: "Os cios do som e os sons do cio"

(Texto do poeta e crítico "Carlos Eduardo Marcos Bonfá", que dialoga com elementos do livro "Nós Em Miúdos". Editora Patuá, 2013).


Arte do livro "Nós em miúdos", de Leonardo Mathias.

A Hercília Fernandes

A história das relações é sempre lacunar.
O que preenche a deficiência ontológica
A que a abertura ao outro condena?
A consciência da carência, da falta,
Da saudade da proximidade
Imaginada e depois realizada
Pela comunicação da própria lacuna,
Pela voz da própria contingência,
Pelo desejo de discurso, discurso encorpado
Pela momentânea revolta do corpo e da consciência,
Do cogito que cogita outra presença
Porque não aceita um estado
De total permanência?
Serão os nós do eu, os nós do outro, os nós de nós
As linhas enoveladas
De uma partitura sem maestro,
Os cios do som e os sons do cio após?
Sons do cio silente como as reticências
De uma lacuna onde cabe pela ausência
A autêntica história, o autêntico amor,
A autêntica ilusão, o autêntico estro
De toda autêntica criação.

Carlos Eduardo Marcos Bonfá.



14/09/2013

No entanto...

“Nunca disse te amo
Nunca disse te estranho
Nem importa mais...”

Zélia Duncan,
In: "Então me diz
(The Blower's Daughter). 


AINDA QUE eu queira
não lhe chamarei
evocarei a sua volta

não direi que sem você
nada mais no mundo importa
que os meus dias são tristes
as noites mortas

ainda que eu queira
não falarei desse imenso vazio
das cheias que tornam o meu peito
estio

se aqui faz calor se frio
se agora choro ou se desvio

ainda que eu queira...
nada, eu lhe direi


h.f.
13 set. 2013


25/08/2013

a sinfonia, o mar


a cada dia morre-se

um pouco mais

infinitos acordes

volvem a sinfonia

o mar


ficarão as vísceras


os refúgios da alma

em que tu me devoras

despe-me


sem alcançar-me



hercília fernandes,

02 out. 2010



*Arte: Ricardo Paula, "O abraço do mar I".



22/08/2013

nada mais importa

nem mesmo
o cravo
/ a rosa


h.f.

21 ago. 2013


[...]


Não, ela não possuía qualquer direito... nem liberdade, nem expressão, nem jeito. Sentia. "Tenho pressa porque o sentimento alargar-me na fonte. Abre-me o amor entrefrestas e eu já não sei o que fazer para contê-lo, escondê-lo nas especiarias dos montes". Urgência é a posse, consentida, da sua geografia.


______________________________...



CECILIANA

arrancarei
a feiúra rósea
d’entro de mim
como quem
remove
erva daninha
do jardim

depois,
com olhos
perplexos
por ti,
tornar-me-ei
rocha

"tão parada e fria e morta”



hfernandes,
27/29 out. 2012




21/08/2013

Same mistake





"I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice,
Cause I'll just make the same mistake again..."



20/08/2013

hoje, ontem...


o tom era de leveza

- de graça
o sentido? tão único...

(há dias, ardia-lhe tal pronúncia)







por sonhar demais
foi que grafei
o teu nome na areia

nosso amor é livre...

se não me ateias,
é porque mares me fazem
ora medusa ora sereia*


hercília fernandes,
hoje/ontem



*"Das Coisas Dispersas No Mar", poema publicado no livro "Nós Em Miúdos". Editora Patuá, 2013.


19/08/2013

jardim em cinzas


a minha vida é um filme:
imagem
passagem na janela

a lente que filma,

quase sempre, é aquarela
tão vibrante quanto um sonho
de Monet

mas também é asa disforme


ponte

passarela

jardim em cinzas



h.f.

19 ago. 2013



*Arte: René Magritte, "A condição humana" (1933).



18/08/2013

Carta ao amigo


Caro amigo,
minhas saudações.


Hoje tenho tomado consciência que não tenho, apenas, alguns poucos anos de vida, mas, provavelmente, quatro séculos de existência.
Muitos pensamentos têm-me, insistentemente, afligido o espírito. Alguns passam à noite a rodear-me, envolvendo-me; e requerem, de mim, explicações às coisas que talvez estejam além da minha compreensão. A verdade é que tenho buscado nos textos literários, a priori nos poéticos, possíveis esclarecimentos para as minhas angústias.
Tenho refletido muito sobre o homem e o seu ideal de felicidade, porque, assim, poderei compreender a mim mesma e aos valores que, historicamente, têm me acompanhado. Penso que muitas das minhas aflições decorrem dos ideais dos novos homens; exigindo de mim uma certa racionalidade para examinar os meus próprios sentimentos. A bem da verdade, é que tenho buscado esse entendimento a partir da reflexão do pensamento Iluminista que, por sua vez, tivera suas bases filosóficas importadas da Renascença:
– Como posso, meu senhor, confiar-te os mais sinceros sentimentos, sem ultrajar a nossa sã e fecunda relação? Tenho por ti uma admiração quase que divinal, porque não dizer paternal! Entretanto, é verossímil que os meus olhos já não te vêem com o mesmo olhar. A tua imagem, antes tão fria e distante e, terrivelmente, vertical, tem-se modificado, gradativamente, à luz da inteligência humana.
Contudo, meu amigo, em meio a tantos pensamentos, livros e enciclopédias, sinto-me, ainda, extremamente bucólica. Um forte sentimento idílico tem-me contagiado, remetendo-me a um passado distante, cujos homens podiam se deleitar à natureza. A bem da razão, resigno-me a imaginar, no plano da fantasia, o homem em seu estado natural, não corrompido pelos valores da civilidade. E, nesse plano, posso visualizá-lo sem que minha alma se corrompa pela artificialidade da vida mundana.
O fato, meu senhor, é que não pertenço a este tempo, mas posso-me retroceder para que minh’alma se una a tua. No plano da fantasia, tudo posso, tudo me é permitido sonhar. Posso ver-te por entre as nuvens dos meus pensamentos, posso sentir a tua presença, amar-te, adorar-te. Mas a cruel realidade, com todas as suas frívolas engenharias, afasta-nos. A contar pelo tic-tac do relógio que, insistentemente, alerta-nos a hora, pelos rigores dos ofícios, pelas exigências comuns à vida moderna.
É, meu querido, uma gama de valores diplomáticos permeia a nossa cortês relação, restringindo-nos a qualquer possibilidade de realização afetiva. Falta-nos a poesia, falta-nos o olhar sensível, não mascarado pela racionalidade científica, que submete o poeta a refugiar-se aos campos sob a condição de tornar o Real em Belo.
Novamente confesso-te que, embora meu espírito tenha nascido em meados dos “Setecentos”, a esse tempo não pertenço! Caso eu o pertencesse, não me acompanharia, hoje, tal nostalgia. Meus sentimentos se elevariam comovidos com a sensatez das Suas ilustrações poéticas; e o meu espírito não se afligiria mediante a contida emotividade de Suas liras musicais.
Não desejo mais ser a Sua Marília, não quero-me imortalizada por Seus versos, a Sua expressão de afeto tem-me sido dissimulada e oportunista. Hoje, não desejo ser a musa de Seus poemas galantes e perfeitos, pois sei que são vãs, são-lhes refúgios para as Suas copiosas e dignas responsabilidades civis.
Quero-lhe com todos os artifícios e vícios comuns a nossa civilidade; com todas as angustias d’alma. Quero-lhe instintivo, sonoro e difuso; insano, inquieto e reflexivo. Não almejo-lhe ponderado, irremediavelmente, debelado e ilustrado. Todavia, não desejo-lhe animal, rude aos modos, e ausente de significância.
Quero-lhe Senhor dos Seus pastos, entretanto, entregue, intensamente em meus braços.


Carinhosamente,
Helena.




*Carta da personagem Helena ao amigo Seminarista. In: Retrato de Helena, 2005, p. 57-59. 

15/08/2013

alça_pão


e o meu peito

ser_tão
é rio
alça_pão
de saudades

até do que não...



h.f.

9 ago. 2013

14/08/2013

11/08/2013

desprendimento


vieram-me alguns versos,
pássaros que vêm e vão

o que me disseram?

confesso, apenas guardei
a sensação!

versos são como pássaros

desprendem-se das penas
não das asas que fazem
livres as mãos


hfernandes,

11 ago. 2013




31/07/2013

Açores

à Graça Pires


ainda que falasse rosa
não lerias as estrelas

banhasse em fulgores
não seria a ti aquosa

deixai-me aos Açores
mar serei envolta


Hercília Fernandes.
In: Nós Em Miúdos. São Paulo: Editora Patuá, 2013, p. 83.




Graça Pires é poetisa portuguesa. Autora de vários livros, difunde a sua poesia, na internet, no blog "Ortografia do olhar". Alguns dos seus livros, tive o prazer de realizar a leitura por meio de seu próprio oferecimento. Recentemente, lançou o livro "Caderno de Significados".


16/07/2013

Convite: lançamento do livro "Nós Em Miúdos" em Caicó




A Editora Patuá e a poetisa Hercília Fernandes convidam a todos os caicoenses e visitantes da Festa de Sant'Ana 2013, para o lançamento do livro NÓS EM MIÚDOS (2013), cujo primeiro evento de lançamento se realizou na cidade de Cajazeiras-PB. Em Caicó, a exposição do livro se realizará em duas ocasiões específicas:


Na 5ª FEIRINHA DO BAR DE FERREIRINHA, organizada pelos irmãos Clóvis (Pituleira) e Roberto Fontes, que reúne diversas atrações artísticas (Ver matéria no blog Bar de Ferreirinha sobre as apresentações musicais).

Dia: 21 de julho (domingo)
Local: Atlético Clube Corinthians (Barra Nova)
Hora: 12:00h.


E em NOITE DE AUTÓGRAFO NA CASA DE CULTURA, com show do violinista e compositor Marcus Vinicius de Vasconcelos.

Dia: 24 de julho (quarta-feira)
Local: Casa de Cultura Popular (ao lado da Catedral de Sant'Ana, Praça da Matriz)
Hora: 20h30m.




Detalhes do livro:


Gênero: Poesia
Autora: Hercília Fernandes
Editores: Aline Rocha e Eduardo Lacerda
Arte e projeto gráfico: Leonardo Mathias
Prefácio: Lau Siqueira (autor do livro "Poesia sem pele")
Posfácio: Osmar Filho (prof. UFCG)
ISBN: 978-85-64308-83-1




*Para saber mais, visitem a página do livro no site da Editora Patuá http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=148 ou a Página de Eventos no Facebook: https://www.facebook.com/events/494129917332974/



"O sonhador, em seu devaneio, não consegue sonhar diante de um espelho que não seja profundo."

(Gaston Bachelard)